|
08/02/2010
O ruído incessante do motor das 26 máquinas de costura anuncia o ritmo de produção de 65 costureiras e três costureiros de Juquiá, empenhados em confeccionar 130 mil chapéus para uma fábrica de São Paulo. Esta é a segunda grande encomenda recebida nos dois últimos meses, desde quando se uniram em sistema de associativismo. A geração de renda é o resultado mais visível do Programa de Desenvolvimento das Costureiras de Juquiá, fruto de uma parceria entre o Sebrae-SP no Vale do Ribeira e a prefeitura da cidade.
Os chapéus, com a logomarca do Banco do Brasil, serão distribuídos em todo o País aos clientes do banco. Na oficina instalada no prédio da Secretaria Municipal de Educação, a meta é produzir 50 mil unidades até o carnaval e, posteriormente, mais 80 mil até abril. A produção deverá gerar um faturamento de R$ 20 mil ao grupo. Toda essa atividade é resultado de uma história que começou a ser escrita recentemente, em 2009.
A convite da prefeitura de Juquiá, o Sebrae-SP passou a difundir o empreendedorismo, promovendo formas de capacitação e gestão para um grupo que costumava apenas frequentar os índices de desemprego e agora quer se formalizar em uma cooperativa. “O município é muito carente. Conforme o senso do IBGE de 2007, 42% da população, de 18 mil habitantes, enfrenta vulnerabilidade social, o nível de desemprego é altíssimo. Investir na qualificação é uma solução”, afirma a assistente social da prefeitura Jurema Célia de Morais.
A maioria dos costureiros integra o cadastro do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), unidade pública de serviço social. Com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,742, Juquiá está abaixo da média do Estado de São Paulo (0,833).
Na sala de aula, o ritmo é tão intenso quanto na oficina. Primeiro, foi realizado durante um mês, no ano passado, um curso de costura industrial, ministrado pelo Senac em parceria com a prefeitura e o Sebrae-SP. Em seguida, outro de gestão empresarial, intitulado “Juntos Somos Fortes”, desenvolvido pelo Sebrae-SP. Na primeira semana deste mês os costureiros participaram da capacitação “Praticando o Associativismo”. Ainda em fevereiro iniciam uma clínica de costura (por meio do Programa SebraTec, de transferência de tecnologia) e participam de uma palestra de motivação. O calendário de março inclui os cursos “Aprender a Empreender”, “Como Desenvolver Lideranças e Desenvolver e Estimular a Motivação” e “Como Definir o Preço de Venda na Indústria”.
Até julho participarão ainda dos cursos “Como Vender Mais e Melhor”, “Controles Financeiros”, “Formação Preço”, “Gestão e Técnicas de Produção e a telessala “Aprender a Empreender – Têxtil e Confecção”.
Aos poucos o aprendizado em sala de aula se traduz em renda. Em dezembro o grupo arregaçou as mangas para atender à sua primeira grande encomenda: 20 mil roupas de boneca para uma fábrica de brinquedos de Mauá (São Paulo), o que rendeu um total de R$ 8 mil e até R$ 600 por costureiro. "Desde o início a intenção era buscar mercado. Com a ideia do grupo de criar a cooperativa, estamos visualizando algo concreto, mais palpável”, comemora a assistente social Jurema Célia. Como não há máquinas suficientes para todos trabalharem juntos, há quem leve serviço para casa. “Por dia, tem gente que fatura até R$ 45”, conta a monitora Maria Helena Miiller Camargo. Os cursos, principalmente os de corte e costura, deram uma nova perspectiva à costureira Maria de Jesus Dourado. “Estou adorando. Isso está me ajudando a ter novos conhecimentos, novas ideias. Na oficina está entrando dinheiro. Por semana, produzo 1.054 peças em conjunto com outra companheira”, comemora.
A mudança na vida destes homens e mulheres já é percebida pela psicóloga da prefeitura, Bárbara Alves de Moraes, que atua no Cras. “Havia mulheres que, deprimidas por seus problemas, sequer saíam de casa. Hoje produzem, ficam felizes por conseguirem trabalhar, houve uma melhora da autoestima”, conta.
Até o momento, o Sebrae-SP investiu R$ 17 mil no Programa de Desenvolvimento das Costureiras de Juquiá. A analista de projetos do Sebrae-SP no Vale do Ribeira, Cláudia Noemi Gervásio Bilche, avalia que a região tem na indústria de confecção um grande potencial, por conta da proximidade de duas grandes capitais: Curitiba e São Paulo.
“A indústria de confecção é uma boa alternativa para geração de renda, pois se trata de uma indústria de baixo impacto ambiental. E o Vale do Ribeira é área de preservação ambiental. Registro já sedia uma indústria de confecção. A tendência de mercado deste segmento é a terceirização conhecida como costura de facção. Dentro deste panorama, aliado à capacitação de mão-de-obra local, técnica e gerencialmente, o Programa de Desenvolvimento das Costureiras de Juquiá tem tudo para dar certo, promovendo de fato a geração de trabalho e renda”.
Se depender do entusiasmo do grupo, tudo indica que os motores das máquinas dificilmente vão cessar. Os costureiros e costureiras querem continuar a aprender e já solicitaram ao Sebrae-SP uma oficina para identificação de problemas de máquinas de costura. O objetivo é evitar, ao máximo, a queda da produtividade. Visite a página do Sebrae-SP no Vale do Ribeira: www.sebraesp.com.br/no_estado/interior/vale_do_ribeira Siga o Sebrae no Twitter http://twitter.com/sebraesp Contatos para a imprensa: Andreoli/ MS&L a serviço do Sebrae-SP Márcia Costa – Assessora de Imprensa Tel.: (13) 9126-7210 E-mail: marcia.costa@br.mslworldwide.com |
|